Eusebio Cup: Benfica Empata com Inter de Mourinho mas perde nos Penalties!  Inserido Tuesday 19 August 2008 03:07

Eusébio Cup: Benfica 0-0 Inter de Milão (4-5 no desempate por g.p.)
Prontos para ir à luta

Mais de 54 mil viram o Benfica e o Inter proporcionarem um jogo muito intenso na primeira edição da Eusébio Cup. A formação liderada por José Mourinho venceu no desempate por grandes penalidades, após um nulo no final dos 90 minutos, embora o Benfica, em momentos, tenha empolgado a Luz e, perante um fortíssimo Inter de Milão, revelado a humildade dos campeões, sabendo quando defender mais ou quando sair com perigo para o ataque. Uma equipa personalizada, esta que Quique Flores está a construir.

Um Benfica pragmático, ciente das suas forças e fraquezas, actuando como um todo e revelando estar pronto para os embates oficiais, depois de ter actuado cara na cara do “gigante” italiano no último e mais difícil dos testes de pré-época. Que venha, pois, o início da Liga Sagres.

A um ferro do golo

Casa cheia, toque inicial do “King” e um grande adversário pela frente. Noite grande – para benfiquista desfrutar – em plena “Catedral”. Para complementar tal cenário, um Benfica de peito feito para, em jeito de homenagem a Eusébio, colocar em causa o poder quase estelar de um Inter de Milão treinado pelo “Special One”. Alinhando com o mesmo “onze” que derrotou (e bem) o Feyenoord, o Benfica cedo se impôs no jogo, revelando simplicidade de processos nas (quase sempre rápidas) transições defesa/ataque e inteligência na cobertura dos espaços que Figo (tem mesmo 36 anos?), Ibrahimovic e Mancini tentavam criar, quase sempre via tabelas rápidas e constantes trocas posicionais.

Actuando com uma defesa avançada e em linha, o Benfica cortou as fontes de inspiração dos italianos e só mesmo quando um milímetro ou centímetro se sobrepôs à competência da formação da já referida linha, o conjunto de Quique deu o tal mínimo espaço que o Inter precisava para fazer a diferença. Isso mesmo surgiu quando, aos 11’, Figo encontrou Ibrahimovic pela direita e o sueco assistiu o português no coração da área. Valeu a frieza de Quim para barrar o autêntico penalty em movimento de que dispôs o “sete”.

Mas foram precisos três minutos até que o Benfica demonstrasse que nem mesmo esse susto poderia colocar em causa a sua condição de anfitrião da festa, levando ao rubro a Luz quando Rúben Amorim centrou largo para Léo e o brasileiro picou a bola para o remate à meia volta de Cardozo. O eco da bola no ferro ouviu-se a quilómetros de distância, passe o exagero. Dois lances que serviram de excepção a uma regra em que imperou a capacidade de ambas as equipas se contrariarem na hora da construção, conferindo uma ideia de tremenda eficácia aos processos defensivos (sempre uma boa notícia quando o início da época está a poucos dias de distância). Ainda assim, o Benfica voltou a estar mais próximo do golo quando, aos 41’, Cardozo serviu, de calcanhar, Rúben Amorim e este, na cara de Júlio César, permitiu a defesa do guardião brasileiro.

A apitar nos desentendemos

Quique terá gostado do que viu, mas identificou alguma previsibilidade na forma de atacar os flancos, pelo que lançou Balboa e Reyes, abdicando de Rúben Amorim e Urreta. Em resultado dessa aposta, o jogo abriu, revelando o Benfica uma maior velocidade no ataque e o Inter crescente determinação nos lances de contra-ataque. E foi até dessa forma que Figo voltou a estar, aos 65’, à beira do golo, quando surgiu isolado no coração da área para nova defesa de qualidade de Quim.

Quique resolveu, logo depois, mexer, potenciando a entrada de vários jogadores: Nélson e Nuno Gomes e o regressado David Luiz (muito aplaudido). Com estas mudanças, de notar o regresso de Katsouranis ao miolo (fazendo dupla com Yebda). Mas foi lá atrás que, logo depois, aos 72’, uma jogada já antes vista voltou a repetir-se, tendo Quim como protagonista. O n.º 12 estirou-se para nova parada, desta feita a remate de Ibrahimovic.

Lances resultantes de um declínio da qualidade de jogo, em grande parte a dever-se às sucessivas faltas assinaladas (quase sempre em desfavor do Benfica) por Bruno Paixão, o que castrou, durante largos minutos, a iniciativa atacante aos “encarnados” e se revelou preponderante para a evolução no terreno de uma formação mais experiente, como é o Inter. Muito boa, no entanto, a reacção final do Benfica, encostando os italianos ao seu último reduto e reforçando a justiça do empate que se registou no final. Depois, nas grandes penalidades, que decidiram a entrega do troféu, o Inter acabou por ser mais feliz (Fellipe Bastos e Nélson falharam para o Benfica e Ibrahimovic para os visitantes).

 

 

Destaques na equipa do Benfica

Quim – Com asas nas costas
O equilíbrio existente à flor do relvado obrigou-o a uma constante atenção, pois o Inter, quase sempre em lances apoiados, surgiu em boa posição de remate em alguns momentos. Mas Quim, qual homem de ferro, revelou sempre uma tremenda concentração, quer nas saídas aos vários cruzamentos provenientes do flanco direito dos italianos (Figo e Ibrahimovic em destaque nesse aspecto), quer também quando foi chamado a opor-se aos perigosos remates dos adversários. Fantástica a forma como parou, aos 11’, um autêntico penalty (em movimento) de Luís Figo. Aos 65’, lance idêntico, com Figo a surgir ainda mais perto da baliza e a rematar de primeira (mais enrolado, desta feita) para nova defesa de Quim. E se dúvidas existissem acerca do quanto Quim estava inspirado, eis que, logo de seguida, arrojado, negou novo golo, desta feita a Ibrahimovic..

Cardozo – À lei da bomba
Excelente atitude entre os centrais adversários, revelando maior agressividade no corpo a corpo, contínua procura de espaços e inteligência na combinação com os colegas provenientes do meio campo. Um bom exemplo disso mesmo surgiu aos 41 minutos, quando deu de calcanhar para a entrada de Rúben Amorim, deixando o médio na cara de Júlio César. Pertenceu-lhe o momento mais alto da primeira parte, quando, de primeira e à meia volta, estoirou para a barra, corria o minuto 14.

Katsouranis – Sempre no sítio certo
Voltou a jogar como central e a impor-se como o complemento perfeito de Luisão. É certo que terá igual capacidade para se destacar como médio (posição na qual actuou na segunda parte), o que só diz bem da capacidade deste internacional grego. Desta feita, como central, “Katso” deu nas vistas pela capacidade de ler o jogo, utilizando ao seu tremendo poder de antecipação, mas também revelando a habitual categoria na avalização das jogadas em que tinha de dobrar o outro central ou os laterais. Numa palavra, brilhante.

Quique sobre o Jogo:



Quique Flores: «Estamos muito competitivos»

«A pré-época foi em crescendo e montando uma equipa, temos a certeza que hoje somos melhores do que no início da pré-época. Foi um jogo muito potente, quer individual como colectivamente, e foi muito bom para a equipa. Tenho a garantia que estamos muito competitivos, já somos uma equipa agressiva e que transmite boas sensações. Tivemos algumas dificuldades frente a uma equipa como o Inter, mas estamos satisfeitos com o que os jogadores fizeram. Se ainda espero mais algum jogador? O que espero é que a equipa comece a época com inteligência e que seja competitiva».

Eusébio: «Importante foi a festa»

«O importante foi a festa, embora tivesse gostado de ver o Benfica vencer. Gostei, como gostei do Benfica frente ao Feyenoord. É pena, gostava que a taça ficasse em Portugal, mas a equipa está bem, está a corresponder ao futebol que o treinador gosta e penso que não é agora que os sócios vão ficar tristes. A marcação de grandes penalidades é sempre uma lotaria. Julgo que o árbitro não foi feliz esta noite. É um dia que não vou esquecer, é o primeiro troféu em que o Benfica me presta homenagem. O público também correspondeu.»

 

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