Eusébio Cup: Benfica 0-0
Inter de Milão (4-5 no desempate por
g.p.)
Prontos para ir à luta
Mais de 54 mil viram o Benfica e o Inter
proporcionarem um jogo muito intenso na primeira
edição da Eusébio Cup. A
formação liderada por José Mourinho venceu no
desempate por grandes penalidades, após um nulo no final dos
90 minutos, embora o Benfica, em momentos, tenha empolgado a Luz e,
perante um fortíssimo Inter de Milão, revelado a
humildade dos campeões, sabendo quando defender mais ou
quando sair com perigo para o ataque. Uma equipa personalizada,
esta que Quique Flores está a construir.
Um Benfica pragmático, ciente das suas forças e
fraquezas, actuando como um todo e revelando estar pronto para os
embates oficiais, depois de ter actuado cara na cara do
“gigante” italiano no último e mais
difícil dos testes de pré-época. Que venha,
pois, o início da Liga Sagres.
A um ferro do golo
Casa cheia, toque inicial do “King” e um grande
adversário pela frente. Noite grande – para
benfiquista desfrutar – em plena “Catedral”. Para
complementar tal cenário, um Benfica de peito feito para, em
jeito de homenagem a Eusébio, colocar em causa o poder quase
estelar de um Inter de Milão treinado pelo “Special
One”. Alinhando com o mesmo “onze” que derrotou
(e bem) o Feyenoord, o Benfica cedo se impôs no jogo,
revelando simplicidade de processos nas (quase sempre
rápidas) transições defesa/ataque e
inteligência na cobertura dos espaços que Figo (tem
mesmo 36 anos?), Ibrahimovic e Mancini tentavam criar, quase sempre
via tabelas rápidas e constantes trocas posicionais.
Actuando com uma defesa avançada e em linha, o Benfica
cortou as fontes de inspiração dos italianos e
só mesmo quando um milímetro ou centímetro se
sobrepôs à competência da formação
da já referida linha, o conjunto de Quique deu o tal
mínimo espaço que o Inter precisava para fazer a
diferença. Isso mesmo surgiu quando, aos 11’, Figo
encontrou Ibrahimovic pela direita e o sueco assistiu o
português no coração da área. Valeu a
frieza de Quim para barrar o autêntico penalty em movimento
de que dispôs o “sete”.
Mas foram precisos três minutos até que o Benfica
demonstrasse que nem mesmo esse susto poderia colocar em causa a
sua condição de anfitrião da festa, levando ao
rubro a Luz quando Rúben Amorim centrou largo para
Léo e o brasileiro picou a bola para o remate à meia
volta de Cardozo. O eco da bola no ferro ouviu-se a
quilómetros de distância, passe o exagero. Dois lances
que serviram de excepção a uma regra em que imperou a
capacidade de ambas as equipas se contrariarem na hora da
construção, conferindo uma ideia de tremenda
eficácia aos processos defensivos (sempre uma boa
notícia quando o início da época está a
poucos dias de distância). Ainda assim, o Benfica voltou a
estar mais próximo do golo quando, aos 41’, Cardozo
serviu, de calcanhar, Rúben Amorim e este, na cara de
Júlio César, permitiu a defesa do guardião
brasileiro.
A apitar nos desentendemos
Quique terá gostado do que viu, mas identificou alguma
previsibilidade na forma de atacar os flancos, pelo que
lançou Balboa e Reyes, abdicando de Rúben Amorim e
Urreta. Em resultado dessa aposta, o jogo abriu, revelando o
Benfica uma maior velocidade no ataque e o Inter crescente
determinação nos lances de contra-ataque. E foi
até dessa forma que Figo voltou a estar, aos 65’,
à beira do golo, quando surgiu isolado no
coração da área para nova defesa de qualidade
de Quim.
Quique resolveu, logo depois, mexer, potenciando a entrada de
vários jogadores: Nélson e Nuno Gomes e o regressado
David Luiz (muito aplaudido). Com estas mudanças, de notar o
regresso de Katsouranis ao miolo (fazendo dupla com Yebda). Mas foi
lá atrás que, logo depois, aos 72’, uma jogada
já antes vista voltou a repetir-se, tendo Quim como
protagonista. O n.º 12 estirou-se para nova parada, desta
feita a remate de Ibrahimovic.
Lances resultantes de um declínio da qualidade de jogo, em
grande parte a dever-se às sucessivas faltas assinaladas
(quase sempre em desfavor do Benfica) por Bruno Paixão, o
que castrou, durante largos minutos, a iniciativa atacante aos
“encarnados” e se revelou preponderante para a
evolução no terreno de uma formação
mais experiente, como é o Inter. Muito boa, no entanto, a
reacção final do Benfica, encostando os italianos ao
seu último reduto e reforçando a justiça do
empate que se registou no final. Depois, nas grandes penalidades,
que decidiram a entrega do troféu, o Inter acabou por ser
mais feliz (Fellipe Bastos e Nélson falharam para o Benfica
e Ibrahimovic para os visitantes).
Destaques na equipa do
Benfica
Quim – Com asas nas
costas
O equilíbrio existente à flor do relvado obrigou-o a
uma constante atenção, pois o Inter, quase sempre em
lances apoiados, surgiu em boa posição de remate em
alguns momentos. Mas Quim, qual homem de ferro, revelou sempre uma
tremenda concentração, quer nas saídas aos
vários cruzamentos provenientes do flanco direito dos
italianos (Figo e Ibrahimovic em destaque nesse aspecto), quer
também quando foi chamado a opor-se aos perigosos remates
dos adversários. Fantástica a forma como parou, aos
11’, um autêntico penalty (em movimento) de Luís
Figo. Aos 65’, lance idêntico, com Figo a surgir ainda
mais perto da baliza e a rematar de primeira (mais enrolado, desta
feita) para nova defesa de Quim. E se dúvidas existissem
acerca do quanto Quim estava inspirado, eis que, logo de seguida,
arrojado, negou novo golo, desta feita a Ibrahimovic..
Cardozo – À lei da bomba
Excelente atitude entre os centrais adversários, revelando
maior agressividade no corpo a corpo, contínua procura de
espaços e inteligência na combinação com
os colegas provenientes do meio campo. Um bom exemplo disso mesmo
surgiu aos 41 minutos, quando deu de calcanhar para a entrada de
Rúben Amorim, deixando o médio na cara de
Júlio César. Pertenceu-lhe o momento mais alto da
primeira parte, quando, de primeira e à meia volta, estoirou
para a barra, corria o minuto 14.
Katsouranis – Sempre no sítio
certo
Voltou a jogar como central e a impor-se como o complemento
perfeito de Luisão. É certo que terá igual
capacidade para se destacar como médio
(posição na qual actuou na segunda parte), o que
só diz bem da capacidade deste internacional grego. Desta
feita, como central, “Katso” deu nas vistas pela
capacidade de ler o jogo, utilizando ao seu tremendo poder de
antecipação, mas também revelando a habitual
categoria na avalização das jogadas em que tinha de
dobrar o outro central ou os laterais. Numa palavra,
brilhante.
Quique sobre o Jogo:
Quique Flores: «Estamos muito
competitivos»
«A pré-época foi em crescendo e montando uma
equipa, temos a certeza que hoje somos melhores do que no
início da pré-época. Foi um jogo muito
potente, quer individual como colectivamente, e foi muito bom para
a equipa. Tenho a garantia que estamos muito competitivos,
já somos uma equipa agressiva e que transmite boas
sensações. Tivemos algumas dificuldades frente a uma
equipa como o Inter, mas estamos satisfeitos com o que os jogadores
fizeram. Se ainda espero mais algum jogador? O que espero é
que a equipa comece a época com inteligência e que
seja competitiva».
Eusébio: «Importante foi a
festa»
«O importante foi a festa, embora tivesse gostado de ver o
Benfica vencer. Gostei, como gostei do Benfica frente ao Feyenoord.
É pena, gostava que a taça ficasse em Portugal, mas a
equipa está bem, está a corresponder ao futebol que o
treinador gosta e penso que não é agora que os
sócios vão ficar tristes. A marcação de
grandes penalidades é sempre uma lotaria. Julgo que o
árbitro não foi feliz esta noite. É um dia que
não vou esquecer, é o primeiro troféu em que o
Benfica me presta homenagem. O público também
correspondeu.»
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